Foto: Gaspar Nóbrega/CBTM
O tênis de mesa vive um momento de fortalecimento dos mecanismos de proteção à integridade esportiva, incluindo medidas de prevenção a irregularidades e à manipulação de resultados. No WTT Star Contender São José dos Campos 2026, esse trabalho passa pela preparação da arbitragem, pelo sigilo das escalas e pelo controle técnico das raquetes antes e depois das partidas.
Antes de cada confronto, os atletas passam pelo controle de raquetes conduzido pela equipe de arbitragem. Durante o procedimento, são verificados itens como a autenticidade das borrachas, a planicidade da madeira e a espessura dos revestimentos, sempre de acordo com a lista de materiais autorizados pela Federação Internacional de Tênis de Mesa (ITTF), conhecida como LARC.
Caso uma raquete seja reprovada na checagem antes do jogo, ela não poderá ser utilizada. O atleta deverá apresentar um equipamento reserva dentro das normas, que será testado imediatamente, quando houver tempo, ou após a partida.
Segundo Eliane Miyazaki, coordenadora nacional de arbitragem da CBTM e árbitra assistente da arbitragem geral no WTT Star Contender São José dos Campos 2026, a inspeção é uma etapa fundamental em competições internacionais.
"Se o atleta estiver com uma borracha irregular, a bola pode apresentar um efeito diferente e prejudicar o adversário. Por isso, é feita toda essa checagem", explicou.
O controle técnico dos equipamentos integra um trabalho mais amplo da arbitragem para garantir o cumprimento das regras e a lisura das partidas. Embora o WTT Star Contender faça parte do circuito da World Table Tennis, a preparação e a escalação dos árbitros brasileiros que atuam na competição são realizadas pela CBTM.
De acordo com Eliane, a escolha leva em consideração as avaliações recebidas pelos profissionais em competições nacionais e internacionais, além de um sistema de rodízio.
"Nós temos uma classificação feita a partir das avaliações dos árbitros internacionais brasileiros. Com base nesses resultados, realizamos a escalação e também um rodízio. A agenda de cada profissional em outras competições internacionais também é considerada", explicou.
Outro cuidado adotado é a preservação das informações sobre as escalas antes do início dos eventos. Os nomes dos árbitros selecionados para cada etapa não são divulgados antecipadamente, contribuindo para a independência dos profissionais envolvidos e evitando possíveis tentativas de aproximação antes da competição.
"Não há divulgação prévia dos árbitros escalados para o WTT. Esse cuidado começa antes mesmo da competição", afirmou Eliane.
Na área de jogo, o trabalho segue durante toda a partida. Os árbitros acompanham os lances, aplicam as regras e validam o andamento do confronto diante do público e das câmeras de transmissão. Dessa forma, qualquer irregularidade pode ser identificada e registrada em tempo real.
O controle das raquetes não atua de forma isolada no combate à manipulação de resultados, mas integra uma estrutura mais ampla de proteção à integridade da competição. A presença constante dos árbitros, o sigilo sobre as escalas, a fiscalização dos equipamentos e o acompanhamento público e televisionado das partidas ampliam os mecanismos de controle e dificultam interferências externas ou condutas capazes de comprometer a lisura dos confrontos.
Somados, esses procedimentos ajudam a garantir que as partidas sejam disputadas dentro das regras e em igualdade de condições, fortalecendo a confiança de atletas, profissionais e torcedores nos resultados apresentados dentro da mesa.